terça-feira, 13 de maio de 2014

DRAGÃO NEGRO É O NOVO - E MELHOR - LANÇAMENTO DO PROJETO CHROMA

               O Projeto Chroma, cooperativa de Quadrinhos capitaneada pelo paulistano Thiago da Silva Mota, apresenta seu mais novo lançamento – e o melhor deles, na opinião deste vosso humilde escriba: Dragão Negro, mais uma caprichada edição do Chroma, no formato 21 cm x 15 cm, capa couchê colorida, e um polpudo miolo com 68 páginas couchê em p&b e tons de cinza, com a seguinte premissa: o mundo vem sendo dominado pelo grupo Iluminatti, cujos membros, governantes e mega-empresários procuram impor ao planeta os desígnios de uma nova ordem mundial, sem qualquer escrúpulo para atingir esse objetivo. Em defesa da imensa maioria da humanidade, que sequer suspeita da pérfida trama global que se desenvolve, um grupo de abnegados artistas revive o legado do grupo ninja Hikari no Seirei e, treinados em artes marciais, colocam todo talento e energia no combate às elites globalistas e seus capangas. O líder do Hikari é o ilustrador Marques da Silva, vulgo Dragão Negro, e dentre seus comandados temos seu namorada, a musicista Kate Lopes, ou Dragão Branco; a prima de Kate, Marina Lopes, também musicista e conhecida como Águia Negra; além do escritor e poeta Renato Albuquerque, o Falcão Peregrino, entre outros.

                O próprio editor Thiago Silva é o roteirista das HQs, o que pode surpreender os menos avisados que só o conheciam das revistas do personagem infanto-juvenil Bandeirinha (confiram aqui http://www.jupiter2hq.blogspot.com.br/2012/09/bandeirinha-e-primeira-edicao-impressa.html e aqui http://www.jupiter2hq.blogspot.com.br/2013/08/projeto-chroma-lanca-o-segundo-volume.html). Mas uma coisa é certa, e hão de concordar aqueles que conhecem ou não o Bandeirinha: o cara escreve muito bem, e segura a atenção do leitor com um roteiro muito bem desenvolvido, empolgante. E, como o próprio autor comenta no prefácio, há sim muitos pontos em comum entre o Dragão Negro e o Bandeirinha. Thiago encontra até mesmo tempo de homenagear seus colegas do Chroma. Já os desenhos ficam a cargo do jovem, mas jovem mesmo, Áureo Henrique. Ao conferir no posfácio que o rapaz nasceu em 1995, fiquei pensando “mas como alguém que nasceu em 1995 já pode estar desenhando desse jeito?” Claro que as influências do jovem e talentoso Áureo só poderiam ser essas da atualidade, dos super-heróis norte-americanos e dos mangás, por isso os quarentões e cinquentões por vezes vão sentir dificuldade de entender a narrativa visual, mas enfim, essa é geração que surge e vem com tudo! Confiram esse lançamento primoroso entrando em contato com o Projeto Chroma em www.projetochroma.net.br ou pelos emails contato@projetochroma.net.br e Thiago@projetochroma.net.br (JS)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

SPEKTRO n.2 E STIGMA n.3, OS ARREBATADORES LANÇAMENTOS DO ESTÚDIO INK BLOOD COMICS


Segue recado do colega Fábio Chibilski, do estúdio Ink Blood Comics:

Amigos leitores, chegou a 2ª edição de Spektro. O trabalho iniciado com a edição 01 de Spektro foi um sucesso compensador, muitos sonhadores se juntaram a nós formando um grande grupo de colaboradores.  Nesta segunda edição teremos 10 HQ’S, 1 conto, uma matéria sobre cinema de terror, a seção humor negro e abriremos a nossa seção do Spektro postal com muitas cartas dos leitores.
Spektro está se tornando novamente a casa do quadrinhista nacional, exatamente como era na época da editora Vecchi nos anos 80.
Para felicidade dos leitores e com a chegada de novos artistas, tivemos que aumentar o número de páginas da segunda edição, Spektro agora está com 100 páginas e mantendo o formatão 20x28, e também o mesmo valor da edição 01, R$15,00.
E aproveitem também para conhecer o terceiro número da revista Stigma, igualmente dedicada ao mundo macabro do terror!
As revistas podem ser adquiridas pelo email: editoraculturaequadrinhos@gmail.com 


sábado, 3 de maio de 2014

CONFIRAM AS ATRAÇÕES DA 126a. EDIÇÃO DO FANZINE QI


                Edgard Guimarães lança a 126ª. edição do fanzine QI com 20 páginas repletas de curiosidades e informações sobre o universo das Histórias-em-Quadrinhos – como é praxe nesta publicação, que completa em 2014 sua ‘maioridade’, 21 anos de existência! Autor da capa e da contracapa (com um inspirado e melancólico Poeta Vital refletindo sobre o tempo), o editor Ed Guimarães assina quase todos os ótimos artigos presentes nesta edição, com seu conhecimento do assunto e bom-humor habituais: em ‘Mistérios do Colecionismo’, comenta algumas edições brasileiras produzidas visando o mercado internacional; em ‘Desvendando A Alma Em Matéria Pouca’, comenta as curiosidades e os ‘malabarismos’ dos tradutores das HQs, as vezes resvalando no ridículo; mesmo que não tenhamos nessa edição a coluna ‘Heróis Brasileiros’, Ed comenta a respeito de O Careca, de Alan Voiss, personagem que se tornou cult entre os aficionados da HQ brazuca. Outro artigo muito interessante é sobre a passagem do grande artista brasileiro Gutemberg Monteiro pela editora Warren, ilustrando capas e HQs de terror. De quebra, Guimarães apresenta duas crônicas muito agradáveis, uma relatando seu encontro com Eduardo Vetillo, artista que desenhou no passado em revistas de Quadrinhos muito populares como Os Trapalhões, Spectreman e Chet e hoje produz caprichados álbuns com temática histórica; e outra relembrando seus tempos de garoto, mais especificamente sobre um trabalho escolar que produziu em forma de HQ. Na coluna ‘Mantendo Contato’, Worney de Almeida relembra os gibis do Palhaço Pixoxó, artista de cidade de Piracicaba/SP que teve três edições em Quadrinhos produzidas pelo estúdio Magno Arte. Além do Fórum dos leitores e da divulgação das edições independentes, os encartes também estão por aqui: no último ‘Cotidiano Alterado’, o artista em foco é o norte-americano Rube Goldberg e seu Boob McNutt; além da seqüência da HQ de faroeste Buster, do artista português José Pires. Por si só, esta edição já poderia ser considerada a melhor desde a renovação do QI no centésimo número – imaginem então se levarmos em conta o precioso presente do editor, um suplemento de capa colorida e 34 páginas sobre Quadrinhos Europeus No Brasil, um impressionante catálogo apresentando & comentando sobre autores e personagens europeus publicados no Brasil desde a década de 50 do século passado até os dias de hoje! Se a catalogação não é completa (e nem essa é a intenção do editor/autor), haja vista que seria trabalho hercúleo digno de um museólogo experiente, ainda assim é quase completa! Coisa admirável e, para leitores como eu, um caipira cinquentão tal como o editor do QI, esta edição representou uma viagem maravilhosa ao passado, quando as bancas estavam repletas de publicações de todo estilo – mesmo que, na época (anos 70 do século XX), eu pouco me importasse a respeito da nacionalidade dos autores. Desde já, uma obra indispensável para quem quiser estudar o mercado editorial brasileiro das Histórias-em-Quadrinhos. Escrevam para o editor Edgard Guimarães e não deixem de conhecer essa preciosidade – edgard@ita.br (JS) 
PS: Que Edgard Guimarães já tenha sido responsável por enriquecer sobremaneira a historiografia dos Quadrinhos eu já sabia; o que eu ainda não sabia, e só vim a saber após ler o fórum de leitores desta edição do QI, é que este fanzine já tenha sido o responsável por um casamento! Que maravilha! Além de notável fanzineiro, editor, ilustrador, roteirista, pesquisador, o Ed também é um eficiente cupido!


segunda-feira, 28 de abril de 2014

VISAGEM, DE TONY MACHADO, EM EDIÇÃO ESPECIAL

                Dominado há quase 50 anos por uma das oligarquias mais nojentas da História da República, o estado do Maranhão é constantemente alvo de tristes eventos reportados na imprensa brasileira. Uma oligarquia que infelicita não somente os maranhenses, mas todos os brasileiros, haja vista que o ‘chefão’, o ‘honorável bandido’ da tal oligarquia, já foi até mesmo Presidente da República, e hoje empesteia o senado no papel do mais fiel aliado da escória petista. E pensar que por esta mesma região, séculos atrás, ouvia-se as imponentes pregações do Padre Antônio Vieira, exortando os fiéis a tratarem todos como semelhantes, inclusive os escravos – discursos proferidos antes que os iluministas falassem em abolicionismo – quero dizer, antes que os iluministas nascessem... desta forma, pensemos então nas coisas boas que o estado do Maranhão oferece aos brasileiros, e, entre elas, lembremo-nos dos formidáveis artistas das Histórias-em-Quadrinhos que desde finais da década de 90 do século passado vêm produzindo inúmeros fanzines, revistas e blogs com alguns dos mais notáveis personagens brasileiros dos Quadrinhos. Eu que acompanho os passos desses artistas há um bom tempo, recebo com imenso júbilo a mais recente publicação do Fator RHQ e Novo Sistema apresentando o personagem de Tony Machado, o Visagem, numa edição especial formato 21 cm x 15 cm, capa couchê colorida (arte porreta de Rom Freire) e 28 páginas de miolo em preto & branco – na capa pode-se ler, logo abaixo do título, que se trata de uma ‘Edição Especial’, mas no canto superior esquerdo está marcado o ‘n.1’ bem grandão, o que os fãs e leitores mais esperam que seja, que tenha continuação. No editorial parece certo de que haverá seqüência, sim – tomara! Pois esta edição está realmente incrível, a começar pelo já citado editorial, escrito pelo próprio autor Tony Machado, com algumas maravilhosas reminiscências familiares, especialmente fazendo lembrança de seus avós. O Visagem vem aparecendo nas edições do Fator RHQ, em especial na Comicstation, desde o ano de 2007, e com esta edição especial o intuito de Machado foi, segundo suas próprias palavras, “trazer a origem e os fatos marcantes da vida do herói, , preenchendo uma lacuna que faltava”. E a HQ ‘A Origem do Visagem’ apresentada nesta edição (escrita por Tony Machado e ilustrada por Wallace Rodrigues) é sem sombra de dúvida a melhor que já foi feita com o personagem, cheia de suspense e mistério, que vai cativar de vez quem já conhecia o Visagem, e certamente criar novos fãs que com ele se depararem pela primeira vez. De quebra, algumas ilustrações feitas por Machado e o incrível Zílson ‘Zeck’ Costa, apresentando esse personagem que possui um dos uniformes mais bacanas dos Quadrinhos. Imperdível, hein? Contatos através do email augusfour@yahoo.com.br ou no blog do Novo Sistema www.gruponovosistema.blogspot.com (JS)

quinta-feira, 27 de março de 2014

SAIU MAIS UMA EDIÇÃO COM OS TIRAS MAIS DURÕES DOS QUADRINHOS: TIRAS vs MONSTROS!!!

Já disse várias vezes, e continuo dizendo, seja em palestras ou conversas pessoais, que o projeto editorial que chamamos de Júpiter II, é uma extensão (ou evolução) dos fanzines. E um dos títulos que melhor representa essa tendência, é o Tiras vs Monstros, que chega agora em sua quarta edição. Eu rabisco as histórias e quem as desenha é o potiguar Antoniêto Pereira, que eu conheço desde os tempos dos fanzines, através dos zines do Corcel Negro – e não por acaso o Corcel Negro também faz parte da Júpiter II, como vocês podem conferir na postagem logo abaixo.

Tiras vs Monstros é exatamente o que diz ser: apresenta dois policiais lutando contra todo tipo de monstro baseado na literatura e no cinema. E confesso a vocês que me divirto muito produzindo esse gibi – mesmo porque, não sou eu que tenho o trabalhão de desenhá-lo. Fica esse encargo a meu fiel parceiro Antoniêto, que vem fazendo isso com capricho cada vez mais apurado. E eu me divirto a beça sendo nada original, e mesclando aventura e suspense com temas que me cativam desde criança – especialmente aqueles temas que povoam os filmes ‘B’, ou nem tão ‘B’ assim. Não por acaso Pedro e Paulo, os tiras mais durões dos Quadrinhos, já enfrentaram alienígena, múmia, lobisomem, monstro do pântano, monstro de Frankenstein, fantasma medival, e agora, nesta quarta edição, em suas 28 páginas, na primeira HQ chamada ‘Terror No Cemitério’ vão enfrentar algo que simboliza a própria morte; e na segunda HQ, ‘O Assassino Da Rua Necrotério’, um enorme gorila – confirmando minha pretensão de não ser original, esta segunda HQ é nitidamente baseada – ou uma adaptação livre, se preferirem, do conto de Edgar Alan Poe ‘Assassino Da Rua Morgue’, que teve uma excelente versão cinematográfica nos anos 60. Divirtam-se – e se vocês conseguirem se divertir metade do que eu me divirto, já está bom demais! (JS)

quarta-feira, 19 de março de 2014

SÉTIMA EDIÇÃO DO CORCEL NEGRO APRESENTA ANTOLÓGICA REUNIÃO DE SUPER-HERÓIS BRASILEIROS!

Um dos personagens mais queridos dentre os fãs das publicações da Júpiter II e dos super-heróis brasileiros, o Corcel Negro (criado pelo potiguar Alcivan Gameleira) retorna em sua bombástica e explosiva sétima edição com mais três HQs, destaque para aquela em destaque na capa (mais um belíssimo trabalho de Emir Ribeiro), ‘Passado e Presente’ (roteiro de Sena e Gameleira, muitíssimo bem ilustrada por Wellington Marx), apresentando pela primeira vez numa mesma aventura três ícones dos heróis brazucas – juntando forças com o Corcel Negro temos o Raio Negro (de Gedeone Malagola) e o extraterrestre Crânio (de Francinildo Sena), lutando contra três supervilões da pesada! Completam esta edição com 28 páginas, mais duas aventuras do Corcel Negro: ‘Os Três P’ (escrita por Gameleira e ilustrada por Frank Simon) mostra mais uma vez o Corcel Negro nos tempos da escravidão; e ‘A Lenda Do Boto’, (roteiro de Gameleira e desenhos de Abdon Soussy) narra uma breve história de amor do mutante surdo-mudo. (JS)

domingo, 16 de março de 2014

HISTORIADOR NORTE-AMERICANO FAZ JUSTIÇA COM VIDA E OBRA DE WALT DISNEY

“O tempo é o senhor da razão”, narra o implacável e infalível dito popular. Da mesma forma, a História é a mestra do tempo (alguém já deve ter escrito isso, só não me lembro quem foi). Vivenciei essas divagações enquanto lia a mais recente biografia de Walt Disney escrita pelo norte-americano Neal Gabler: Walt Disney – O Triunfo Da Imaginação Americana (Editora Novo Século, 712 páginas). Um dos personagens mais famosos de nosso tempo – mesmo já tendo falecido há quase cinquenta anos – Disney já foi alvo de biografias depreciativas, de historiadores (todos, ou quase todos, de orientação marxista) que faziam questão somente de exaltar seu ‘lado negro’. Disney teria sido simplesmente um capitalista selvagem e opressor, um verdadeiro demônio a serviço do imperialismo do Tio Sam. Felizmente, Gabler chega com seu livro para destruir o simplismo maniqueísta daqueles autores bobocas, pondo todos os pingos nos is e mostrando Walt Disney como realmente foi: um homem com suas virtudes e seus defeitos, as primeiras suplantando amplamente os segundos. Além dos relatos de familiares e ex-parceiros de Disney, entrevistas e artigos publicados em revistas e jornais ao longo dos anos, Gabler teve acesso a documentos que nenhum outro historiador teve a respeito dele: os arquivos e anotações dos estúdios, as atas de reuniões, o que permitiu uma detalhada biografia desse incrível personagem do século XX, como jamais foi feita.
                Desde o início da leitura percebemos que o autor procura entender a personalidade de Disney e que, segundo ele, foi moldada em sua tenra infância e início de adolescência na virada das duas primeiras décadas do século passado, vividas numa pequena cidade do interior do Kansas, Marceline. Foi esse cenário idílico onde vivia numa comunidade fraterna, que Disney buscaria o resto de sua vida com suas grandiosas realizações. Ainda que se tornasse um homem do mundo, um cosmopolita que sempre viajava quando tinha chance, dentro de seu coração pulsava a lembrança inesquecível de Marceline.
                E no decorrer das páginas dessa monumental biografia, vamos refazendo os conceitos torpes que nos foram passados pelos historiadores marxistas. Uma das mais conhecidas acusações: a de que Disney teria traído seu parceiro de trabalho Ub Iwerks, e que este seria o único criador do Mickey, tendo Walt simplesmente se usurpado do personagem símbolo dos estúdios Disney. Gabler desmente isso com tranquilidade, e mais: deixa provado que foi Iwerks quem abandonou, por livre e espontânea vontade, os estúdios Disney, preterindo-o por outro comandado por um desafeto do ex-parceiro (Disney recebeu-o de volta, décadas depois).
                Ah, e não podemos nos esquecer do maior ‘pecado’ de Walt Disney, segundo os detratores marxistas: o seu anti-comunismo ferrenho. Bem, aí os detratores têm razão. Afinal de contas, como um homem como Disney, um empreendedor incansável, forjado na iniciativa privada, um artista criativo como ele iria simpatizar com idéias coletivistas? E Gabler nos mostra que a militância anti-comunista de Walt Disney recrudesceu por um motivo muito compreensível, durante os fatos ocorridos na virada dos anos 30 e 40 do século passado, quando alguns de seus ex-funcionários, desafetos dele, cerraram fileiras com os sindicalistas e piqueteiros grevistas que quase levaram a bancarrota o seu estúdio. “Disney mandou a polícia descer o sarrafo nos grevistas”, gritam os detratores. Primeiramente, ainda que já fosse rico e famoso naquela época, ele não tinha poder de polícia. E Gabler explica que não foram exatamente os policiais que atacaram os grevistas (estes, talvez fossem todos uns ‘santinhos’, não é? Nenhum deles rancoroso, nenhum beligerante). Diante dos piquetes que ameaçavam seu estúdio, Disney recorreu a polícia; o comissário disse-lhe que não poderia dispor de homens para defender sua propriedade. Walt não pensou duas vezes e contratou cinquenta guardas particulares – e estes sim, desceram o sarrafo nos grevistas impertinentes e agressivos. Gabler vai mais além: explica que, após as greves, o ambiente familiar que dominava o estúdio, diferenciando-o de todos os demais em Hollywood, deteriorou-se para sempre – e a partir daí sim, Disney foi se tornando, ao longo dos anos, um patrão autoritário e insensível, por vezes demitindo até mesmo companheiros de longa data. Diante do que se passou no episódio das greves, não impressiona o fato de Disney ter se engajado na militância anti-comunista, depondo nas comissões do Congresso e denunciando a prática dos marxistas infiltrados em Hollywood – e vejam que coisa, Gabler prova por A + B que os líderes sindicais que atacavam os estúdios Disney eram... comunistas! E de carteirinha, todos filiados ao ‘partidão’ de lá.
(um pequeno parêntese: para saber mais da influência comunista nos anos 30 e 40 em Hollywood, dois livros indispensáveis: ‘Hollywood Party’ de Kenneth Lloyd Billingsley e ‘Primetime Propaganda’, de Ben Shapiro – ambos ainda sem traduções em português, vamos ver se, depois do que vimos em 2013, com os livros de autores conservadores sendo, destacadamente, os mais vendidos no Brasil, se os editores daqui se tocam e traduzam esses e tantos outros livros importantes que vão deixar a esquerdalha em polvorosa!)
                A biografia de Gabler vai mostrando, de forma fascinante – tal como a vida do biografado – a ascensão de Walt Disney no mundo do entretenimento, e sua influência cada vez mais intensa na sociedade americana e no resto do mundo. Uma trajetória marcada por muita luta, trabalho duro, vivendo sempre a um passo da falência, arriscando seus recursos continuamente, algo impensável para os detratores e seus livros idiotas. E, ao lado de tudo isso, a vida pessoal e familiar (marido fiel e pai extremamente amoroso), a participação na Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, as viagens, o contato com os companheiros de trabalho – nem sempre harmonioso.
Neal Gabler define perfeitamente a importância de Walt Disney para a contemporaneidade:
                Ele mudou o mundo. Criou uma forma de arte e depois produziu vários clássicos indiscutíveis com ela (...) Propiciou fuga para a Depressão [econômica, da década de 30], força durante a [Segunda] guerra, e conforto depois [destacadamente, o projeto da Disneylândia], (...) Foi pioneiro dos filmes coloridos e da televisão em cores. Reinventou o parque de diversões e, ao fazer isso, alterou a consciência americana, para melhor ou pior, de forma que seus compatriotas preferiam a ilusão à realidade, o falso ao autêntico. Estimulou e popularizou a conservação do meio ambiente, a exploração espacial, a energia atômica, o planejamento urbano e uma consciência histórica mais profunda.

                Ufa! Bem mais do que um simples ‘explorador capitalista anti-comunista’, hein? Apenas a lamentar que o livro quase não fale a respeito das Histórias-em-Quadrinhos, mas isso também é coerente, afinal, Disney parou de desenhar muito cedo, por volta dos trinta anos de idade já não queria saber de prancheta e encarregou seus mais talentosos artistas, como Floyd Gottfredson e Carl Barks, para cuidar das tiras de jornais e dos gibis.

A História, soberana, colocando as coisas em seus devidos lugares, graças ao esforço e ao talento de gente como Neal Gabler. (JS)