sábado, 23 de fevereiro de 2013

O CASTELO DE RECORDAÇÕES, HISTÓRIA DE VERDADE!


No dia 9 de dezembro de 2012 o Brasil perdia um de seus maiores ilustradores de todos os tempos, o internacional Gutemberg Monteiro. Nascido em 1916, começou ainda jovem desenhando capas para as publicações do pioneiro Adolfo Aizen, que se tornaria o grande editor-diretor da Ebal. Ao longo da vida e sua extensa carreira, Monteiro fez uma infinidade de ilustrações, capas e HQs para jornais, revistas, pulps e é claro, gibis, muito gibis para as grandes editoras do passado, Ebal, RGE e O Cruzeiro. Seu talento marcante chamou a atenção dos norte-americanos que o contrataram, dando chance para o autor espalhar e mostrar o talento brasileiro aos quatro cantos do mundo, ilustrando personagens ultra-populares como Gasparzinho, Brasinha, Riquinho, Faísca & Fumaça, Piu-piu & Frajola, Super-Mouse, Tom & Jerry, entre outros. Pois bem, a despedida de um artista compatriota como este, com obra tão sublime e tão vasta, mereceria inúmeras publicações póstumas, não mereceria? Pois não pensam assim nossos atuais editores e redatores de revistas, sítios internéticos e segundo cadernos de jornais, que deixaram passar em branco todo o legado de ‘Gut’, preterindo-o a qualquer mocinho ‘bunitinho’ estilo hippie-chic que tenha ilustrado um desses enfadonhos, enjoativos, cansativos e nauseabundos personagens Marvel/DC. Lamentável, profundamente lamentável que isso aconteça, esse desrespeito à memória da HQ brasileira – e internacional, em se tratando de Gutemberg Monteiro. Não se viu nem mesmo nota de falecimento nesses sítios virtuais sobre Quadrinhos, nem mesmo aproveitando a ocasião em que a Pixel vem relançando, numa feliz jogada editorial, gibis com os personagens da Harvey Comics, os quais Monteiro ilustrou durante décadas! Eis aí o que podemos chamar de ‘homenagem subliminar’: ao mesmo tempo em que os paspalhos da editoria dos segundos cadernos de jornais ignoraram completamente o legado de Gutemberg Monteiro, quem comprou os gibis da Pixel pode ter se deparado com algumas, ou várias das HQs ilustradas pelo grande mestre dos Quadrinhos. Mas enfim, se o ‘bunitões’ do atual mercado editorial brasileiro e seus sítios internéticos não estão nem aí para a História, sorte nossa ainda podermos contar com os fanzineiros, como o experiente José Magnago, que desde o comecinho da década de 90 vem editando o fanzine O Castelo de Recordações, sempre resgatando a História e homenageando grandes artistas e personagens das HQs, do Brasil e mundo afora. E Magnago homenageou Gutemberg Monteiro quando este ainda estava VIVO, com algumas ótimas edições em destaque esta que me veio parar em mãos, lançada em janeiro de 2012 (formato A4, 36 páginas), a segunda dedicada exclusivamente a esse grande artista que nos deixou. E o destaque neste fanzine são as ilustrações belíssimas que Gut fez para o suplemento O Globo Esportivo, desenhando painéis com os grandes craques do futebol brasileiro na década de 40 do século passado. Originalmente as ilustrações foram publicadas em cores, e nosso bom Magnago não teria condições para reproduzí-las coloridas – função esta que caberia a esses republicadores milionários de nosso pífio mercado editorial, dedicado a autores ingleses enfadonhos, e a esses ‘fru-frus’ que desenham bátima, ómiaranha e outros personagens asquerosos da atualidade. O consolo é que o tempo, e a História, nos farão justiça: daqui há poucos anos, os ‘reis da codada preta’ dos dias de hoje não aparecerão sequer em notinhas de rodapé, diante da imensidão da obra de alguém como Gutemberg Monteiro. José Magnago não tem e-mail, de modo que só vai conseguir conhecer O Castelo de Recordações quem não for preguiçoso a ponto de não escrever cartas: rua Jerônimo Monteiro n,117 – Cachoeiro de Itapemirim/ES – CEP: 29304-637. (JS)

SUPER-HERÓIS DE LEANDRO GONÇALEZ


Nascido na cidade de Ourinhos e radicado em Bauru, o paulista Leandro Gonçalez, artista plástico e professor de desenho, é também um profícuo fanzineiro, tendo editado, junto a colegas, fanzines temáticos de terror e de cangaço. Mas o destaque nesta postagem são os super-heróis criados por ele, personagens que já ganharam as primeiras edições em fanzines: Orion (formato ½ A4, capa colorida, 12 páginas p&b) e Guardião (idem, exceto pelo número de páginas, 16). O primeiro é Rafael Perino, um jovem descolado, artista de teatro, que recebe a inesperada visita de um ser de outro planeta que lhe concede poderes místicos – e um alerta: o planeta está para ser invadido por seres do espaço sideral, e o primeiro deles, Vácuo, ataca logo nesta primeira edição. Já o Guardião é Ricardo Landi, jovem que, ao ver assassinada sua namorada, torna-se um vigilante urbano, após experimentos químicos e treinamentos para aprimorar habilidades físicas. Após esta breve descrição, vocês devem estar se perguntando: ‘ok, Salles, mas qual a novidade’? A novidade é que os super-heróis de Gonçalez atuam em suas cidades natais: Orion em Ourinhos, e o Guardião, em Bauru – seu uniforme tem as cores da bandeira da cidade e o herói pode contar até mesmo com a cumplicidade do prefeito, que tem as feições do atual prefeito Rodrigo Agostinho – muito querido entre os bauruenses, haja vista a expressiva votação que teve no pleito do ano passado, re-elegendo-se com 80% dos votos, logo no primeiro turno. Já dei uma olhada na HQ que Gonçalez está produzindo para o segundo número, coisa muito boa vem por aí. leandrogoncalez@gmail.com (JS)


FANZINE SENTIMENTO, EXCELENTE PUBLICAÇÃO DOS IRMÃOS DAMAS


Os fiéis seguidores deste blog devem se lembrar de todo meu entusiasmo quando me deparei com o fanzine Sentimento, produzido pelos irmãos Damas, Adams e Alexandre (quem não se lembra pode recordar aqui: http://www.jupiter2hq.blogspot.com.br/2012/02/um-fanzine-romantico.html). Pois a meu entusiasmo é redobrado com a nova edição do fanzine que me foi gentilmente enviada pelo Alexandre – cuja arte muito bonita vocês podem apreciar aí na capa acima reproduzida. No formato 21 cm x 15 cm, capa cartonada em couchê, colorida, com 34 páginas em tons de cinza, o fanzine Sentimento apresenta três histórias muito bonitas produzidas pelos irmãos Damas, escritas por Adams e ilustradas por Alexandre. Começa com ‘Toquei Um Coração’, um singelo encontro amoroso nas ruas da cidade; segue com ‘Olhos de Gato’, uma ode à mulher amada e também a uma espécie muito especial: os felinos (quem convive com algum deles, sabe do que estou falando). E encerra com uma bonita homenagem ao fotógrafo alemão Horst Faas, que se notabilizou com as fotos chocantes que consegui durante o conflito no Vietnã – e a intenção dos autores foi mostrar que é possível acreditar, ter esperança, mesmo nas situações-limite mais desagradáveis, qual seja, uma guerra. www.grimoria2.blogspot.comwww.damas-3brotherscomics.blogspot.com (JS)

SÉTIMO FANZINE DO ÁTOMO PELO NOVO SISTEMA



Cooperativa de Histórias-em-Quadrinhos Novo Sistema lança mais um fanzine do Átomo, personagem criado pelo maranhense Riccelle Sullivan Suád, que assina o roteiro e os desenhos desta sétima edição (16 páginas p&b no formato ½ A4), apresentando a história ‘Algo Por Lutar’, mostrando o personagem principal se recuperando da terrível enfermidade que lhe acometera (uma infecção intergaláctica que pôs em risco a vida em todo o planeta), graças a ajuda do Senhor Infinito, Átomo começa a refletir nos caminhos que deve tomar – mas não pode ficar muito tempo divagando por aí, pois uma nova ameaça o espreita. Lynx_2811@hotmail.com (JS)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

MUITAS NOVIDADES NO 119o. NÚMERO DO QI



Um dos fanzines mais antigos do Brasil circulando com plena vitalidade, chega-nos o 119º. número do QI (Quadrinhos Independentes - 28 páginas p&b no formato 21,5 cm x 17 cm) do editor mineiro Edgard Guimarães, apresentando, como vem sendo praxe nos números mais recentes, interessantes encartes: neste números, são duas folhas dos Cotidianos Alterados, abordando algumas raras criações dos Quadrinhos, como Molly And Her Pals de Cliff Sterret e também Buster Brown – este último ficou bastante conhecido no Brasil como Chiquinho, criação norte-americana continuada por autores brasileiros da célebre revista O Tico-Tico, e por muitos anos após o autor original Richard Fenton Outcault ter parado de produzir a série. Há mais encartes nesta edição do QI, em destaque um suplemento de oito páginas com um extenso artigo assinado pelo próprio editor com reflexões sobre as Histórias-em-Quadrinhos, começando a falar a respeito do ‘Desenho Inferior Das Histórias-em-Quadrinhos’ – e especificamente sobre isso o autor comenta somente na última página, sendo todas as outras dedicadas a uma abordagem histórica sobre a narrativa visual ilustrada e também sobre a evolução dos meios de impressão gráfico-editoriais. E ainda um outro encarte, uma ilustração dupla produzida por Guimarães chamada ‘A Batalha’ – e confesso envergonhadamente que não entendi nada! (sorry, Ed!)
                Já nas páginas internas do QI, como sempre, não faltam assuntos e curiosidades a respeito das Histórias-em-Quadrinhos, destacando-se neste número mais uma vez os Mistérios do Colecionismo, onde Edgard Guimarães nos fornece uma impressionante lista das publicações nacionais da editora Nova Sampa e seus nomes correlatos; infelizmente não consta desse número a coluna Heróis Brasileiros, mas em Calendário Nacional podemos saber muito a respeito do trabalho de Renato Silva, o maravilhoso desenhista de A Garra Cinzenta, clássico da HQ brasileira; em Tirando O Chapéu Guimarães comenta um pouco sobre o Rip Kirby (Nick Holmes, no Brasil) de Alex Raymond, e as dificuldades de se produzir uma tira diária em Quadrinhos, sem perder a atenção para a continuidade do roteiro. Já a coluna Mantendo Contato assinada por Worney Almeida de Souza apresenta mais uma incrível curiosidade, resgatando do limbo o personagem Pesquinha, que ensinava as crianças sobre o universo da pesca. Dentre outros assuntos interessantes, como o depoimento do fanzineiro Gutemberg Cruz e o fórum de leitores, o QI 119 encerra com chave-de-ouro com uma breve crônica de Edgard Guimarães comentando sobre a tradução norte-americana de um álbum dos Strunfs, onde temos a noção do ridículo a que chega a militância politicamente correta (eu sei que Os Duendes Strunfs hoje são mais conhecidos como Smurfs, mas quem os conheceu pela Editora Vecchi no final dos anos 70, há de chamá-los de Strunfs pelo resto da vida – mesmo porque, é muito mais fiel ao nome original criado pelo belga Peyo, Les Schtroumpfs). edgard@ita.br (JS)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

ROMANCE EM QUADRINHOS 3 APRESENTA MAIS UMA VEZ A EXUBERANTE ARTE DE ADAUTO SILVA


Saiu pela cooperativa Júpiter II o terceiro número de Romance Em Quadrinhos (21 cm x 15 cm, capa colorida e 28 páginas p&b) apresentando a HQ ‘Dúvidas e Escolhas’, mais uma vez escrita por José Salles e ilustrada com a exuberante arte de Adauto Silva – um dos maiores talentos da HQ da atualidade, infelizmente desprezado por outros editores do mainstream editorial brasileiro dos Quadrinhos (provavelmente pelo fato de estar trabalhando comigo). A propósito, este título da Júpiter II é um dos mais debochados e ridicularizados pelos artistas do mesmo ‘mínstrim’, mas dou um rábano pra isso, especialmente diante da aceitação gratificante que vem recebendo dos nossos leitores, especialmente das mulheres (embora nenhuma delas ainda tenha querido namorar comigo). Quem me ensinou a ser romântico foi minha saudosa mãe, que me influenciou favoravelmente a admirar o bom gosto de filmes antigos românticos como Selva Nua/The Naked Jungle, Tarde Demais Para Esquecer/An Affair To Remember, Um Lugar Ao Sol/ A Place In The Sun, Melodia Imortal/ The Eddie Duchin Story, entre outros. Com o passar dos anos, posteriormente me deixei levar por caminhos lamentáveis, quando minha fraqueza espiritual permitiu que eu me influenciasse por perversões abomináveis, como aquelas fartamente encontradas na execrável cultura do rock e dos quadrinhos údi-grudi. Felizmente, venho expurgando de meu espírito toda essa nojeira moral, e, ainda que muito longe de ser uma pessoa santificada, sigo no esforço de abandonar definitivamente a idolatria do hedonismo e das perversões, e com isso venho emergindo com um romantismo imbatível, a despeito da contínua depravação do mundo. Bem, me desculpem esse breve desabafo, esta postagem teve o intuito de divulgar este novo número do Romance Em Quadrinhos, e especialmente exaltar a arte de Adauto Silva, um artista que mereceria muito mais consideração dos editores e coleguinhas brasileiros. E a história aqui narrada mostra personagens vivendo exatamente esse conflito semelhante ao que vivi, entre a castidade (no sentido como a entendia Santo Agostinho) e a devassidão, entre a fidelidade e a promiscuidade. (JS)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AUTORES MARANHENSES ARREBENTANDO!!!


Fator RHQ e Novo Sistema são os nomes de duas das mais efervescentes cooperativas maranhenses de produção de Quadrinhos que apresenta novos & pujantes talentos da cena nacional das HQs. E elas já estão na ativa há vários anos com diversos lançamentos, e nesta semana tive o júbilo de receber mais três delas: as edições números 4 e 5 de O Espetacular Homem-Caveira e o primeiro número de um novo e instigante personagem, Lápide. O primeiro é um velho conhecido dos fanzineiros e leitores de produções independentes, criação de Zílson Costa, t.c.c. Zeck, prima pelo bom humor e neste ponto acerta em cheio, pois o tipo é engraçado pra caramba! O Homem-Caveira é o jovem Gílson Santos, adolescente tímido e franzino que, pronunciado a frase ‘Não é hora de morfar!’ (???) na posse de um medalhão (ou fivela de cinto?) se transforma no intrépido e debochado Homem-Caveira. 

No número 4 (formato 21 cm x 25 cm, capa ilustrada por Carlos Baima e colorizada por Zeck, com 32 páginas p&b e tons de cinza), o autor aproveita para prestar homenagem a uma das paixões de sua infância, o super-herói dos seriados japoneses Jaspion – e a hilariante HQ é seguida de um artigo assinado do próprio Zeck, explicando a importância desse personagem em sua vida, seja no seriado da tv, seja nas Histórias-em-Quadrinhos (que foram desenhadas por vários autores brasileiros). No número 5 (mesmo formato, 28 páginas p&b e tons de cinza, capa colorida por Rayanderson de Oliveira), o Homem-Caveira reencontra um velho inimigo, o Homem Poodle (uma sátira daquele lamentável Lobo, da DC Comics), que está com o firme intuito de matar o Papai Noel devido a traumas de infância. Desta feita o autor Zeck se encarregou do roteiro e deixou os desenhos para Rayanderson.
Já o primeiro número do Lápide (21 cm x 15 cm, 36 páginas p&b e tons de cinza, capa colorida por Rayanderson de Oliveira) é muito diferente do Homem-Caveira. Criação do jovem Well Jun, apresenta a história ‘Herança Maldita’, escrita por Riccelle Sullivan Suád (autor do Homem-Camaleão, já comentado várias vezes neste blog) e ilustrada por Zeck (em sua melhor forma!), que também dá seus pitacos no roteiro. Traumatizado por ter presenciado um massacre promovido por um demente, o jovem Victor desperta do coma e começa a chacinar pessoas tal como o exemplo que presenciara. Sangue pra todo lado, não é pra menos que completa o gibi um artigo completo sobre a série cinematográfica Sexta-Feira 13. Prestigiem nossos colegas maranhenses – não somente por serem brasileiros como nós, mas porque o trabalho dos caras é bom demais e vale a pena mesmo conhecer. www.comicstationfatorrhq.blogspot.com (JS)