O grupo de artistas de HQ de Santa Maria/RS, Quadrinhos S.A., está completando 10 anos de estrada e comemorando de forma muito especial, com o lançamento da 12ª. edição da revista Quadrante X (26 cm x 17 cm, capa couchê colorida e miolo com 68 páginas sulfite em tons de cinza), apresentando uma variedade de artigos, crônicas, dicas e, é claro, muita HQ. Como é tradicional nesta revista, sempre um tema específico perpassa por toda edição, e neste número o foco é no ‘Apocalipse’ e as previsões catastróficas de ‘fim do mundo’, com ênfase nas previsões maias que acabaram se popularizando por conta daquele filmeco de Hollywood. Mas certo mesmo está o editor da revista, Marcel Jacques:
Se pensarmos bem, acredito que os maias, em seu calendário, não indicam necessariamente um fim, mas o início de um novo ciclo.
Concordo plenamente, sabendo que a palavra ‘apocalipse’ quer dizer revelação, e desta forma é batizado o capítulo final do Novo Testamento, o Apocalipse de Jesus revelado a João Evangelista – e que perpassa por toda a Bíblia Sagrada: no Antigo Testamento, no Novo Testamento, nas cartas paulinas e nas cartas católicas. Mas, muito antes deste documento teológico, outros tantos já narravam eventos dito ‘apocalípticos’, ou seja, já constando em seus textos algumas passagens e metáforas semelhantes àquelas que futuramente seriam mostradas a João Evangelista e narradas por este. De fato, seja no Sutta Pittaka (as escrituras canônicas do budismo); seja no Livro dos Mortos dos antigos egípcios; seja no Mahbharata (os textos sagrados hinduístas); seja no Zend-Avesta, os livros sagrados persas de Zarastustra, seja nas tradições maias, astecas e incas; seja na Bíblia Sagrada dos cristãos ou no Alcorão Sagrado dos muçulmanos: por todos esses cânones sagrados o que se narra não é exatamente o fim do mundo, a destruição do planeta e da humanidade: antes falam sobre renovação de ciclos, o fim de um e o início de outro, re-início.
São muitas as atrações em mais uma excelente edição da Quadrante X, dentre as quais destaco a HQ ‘Genesis’, com o instigante personagem Abysmo, por Milton Soares (criação e arte; roteiro de Marcel Ibaldo); os personagens cativos da revista como Super-Anões (de Marcel Ibaldo e Rafael Grasel), Chicken Man (da Quadrinhos S.A.) e Putzman (Marcel Ibaldo e Guiga Hollweg) enfrentam um de seus piores inimigos, numa super-HQ em três partes. Dentre os articulistas, destaque para o amigo Antonio Mello relembrando os tempos passados das HQs de terror brasileiras.
Enfim, é uma baita revista e está repleta de entretenimento e reflexão. Contatem os caras no email quadrinhos.sa@ibest.com.br e visitem o blog http://www.quadrinhossa.blogspot.com/
terça-feira, 19 de junho de 2012
XIRÚ LAUTÉRIO ENFRENTA A MORTE!
Recebo do amigo Antonio Pereira Mello o novo álbum em Quadrinhos do personagem Xirú Lautério, criado pelo sul-riograndense Jorge Ubiratã da Silva Lopes, o Byrata – e o meu exemplar veio com dedicatória do autor! No caprichado formatão (30 cm x 21 cm), capa cartonada colorida com 24 páginas preto & branco, Xirú Lautério Contra A Morte reúne tiras diárias publicadas no jornal A Razão, da cidade gaúcha de Santa Maria, no ano de 1986. Vemos o Xirú Lautério numa enroscada dos diabos – sem trocadilho: caído num forge brabo (um buraco profundo), vai parar nos quintos dos infernos onde enfrenta a própria morte, de foice e tudo! Mas deixemos que o próprio autor explique as metáforas e os significados subliminares que constam desta história:
Esta não é apenas mais uma nova aventura do Xirú Lautério, esse personagem que povoa minha mente desde os 15 anos de idade. É literalmente sua luta contra a morte, pois, desde que nasceu, sempre lutou para não desaparecer. Foi criado no interior de Tupanciretã, em plena região missioneira, estimulado pelas histórias e causos ouvidos nas rodas de fogo de seu velho e esfumaçado galpão. (...) Xirú Lautério é o retrato deste indivíduo que se encontra hoje em extinção por causa da evolução dos sistemas de vida do homem no planeta.
Ah, sem falar que o tipo é engraçado de fazer rachar o bico! Quem já conhece não vai deixar de procurar, quem ainda não conhece entre em contato com o autor pelo email byrata@hotmail.com
QI CHEGA NA115a. EDIÇÃO REPLETO DE BOAS ATRAÇÕES
Olhem só quanta coisa bacana que faz valer a pena a leitura obrigatória do QI, o longevo e renovado fanzine do mineiro Edgar Guimarães em sua 115ª. edição – de cara vocês mesmos podem conferir a super-capa do piauiense Lancelott retratando dois ícones do panteão dos super-heróis brazucas, Velta de Emir Ribeiro e Mylar de Eugênio Collonnese. O Mylar, a propósito, é o tema de uma nova coluna que se inicia neste número do fanzine, dedicada especialmente aos Heróis Brasileiros das Histórias-em-Quadrinhos. Um artigo conciso e ao mesmo tempo detalhado, baseado nas fontes mais confiáveis. Também ressalto um outro artigo muito interessante do editor, comentando ‘O Fim Dos Fanzines’. Na coluna Memória Do Fanzine Brasileiro, o depoimento de José Valcir, da Prismarte. E a coluna que vem sendo reputada (por este que vos escreve, inclusive) como a melhor do renovado QI é aquela que relembra de alguns dos mais instigantes Mistérios Do Colecionismo, destacando neste número, entre outras curiosidades, a revista em formatinho A Vaca Voadora, de Edy Lima, lançada pela RGE nos idos dos anos 70 do século passado. E estão presentes nesta edição o fórum dos leitores, e os lançamentos editoriais independentes, que não podem faltar. edgard@ita.br
segunda-feira, 28 de maio de 2012
HOMEM CAMALEÃO VOLTA EM NOVA E ESPETACULAR AVENTURA
Saiu com o selo do Novo Sistema, capitaneado pelo maranhense Riccelle Sullivan Suád, o 11º. número do fanzine do Homem Camaleão, no formato ½ A4, capa colorida (por Suád e Lunyo Souza Freitas) com 14 páginas em p&b, apresentando a HQ ‘Advinha Quem Veio Para Matar’, toda produzida por Suád, destacando o quebra-pau entre o Homem Camaleão, com uniforme improvisado (perdera o uniforme por causa de uma patacoada sua, como visto no número anterior) e o brutamontes Crocodilo, agindo como um Fantar de paletó e gravata – ah, vocês pensaram que eu iria falar em Savage Dragon, né? Mas este babaca veio muuuito depois do Fantar, desenhado por Edmundo Rodrigues no final da década de 60 do século passado (quem não conhece e quiser saber mais pode conferir aqui: http://www.sallesfanzineiro.blogspot.com.br/2010/07/fantar.html). Voltando ao Homem Camaleão, que vai se encontrar em péssimos lençóis no ‘quebra’ com o Crocodilo. E muitas surpresas aguardam a série, até mesmo um possível retorno do Homem Camaleão original. Será? Quem vai decidir os rumos da série, evidentemente, é seu autor. Faço uma sugestão, apenas: que Matias volte usando o uniforme original, e Sawane (o Homem Camaleão atual) mantenha o uniforme improvisado desta aventura, e se torne parceiro do Homem Camaleão/Matias no combate ao crime. Suád, mesmo jovem, é um fanzineiro das antigas, por isso, com esse talento ressalte-se também essa dedicação formidável, em manter, de forma independente, um título com regularidade, e sempre o mais caprichado possível. lynx_2811@hotmail.com – www.homemcamaleao.blogspot.com (JS)
quarta-feira, 23 de maio de 2012
CHICO & FRANK MAIS UMA VEZ EM AÇÃO
Saiu o terceiro número de Chico Spencer pela cooperativa Júpiter II (capa couchê colorida com 28 páginas p&b), com o detetive urbano e seu inusitado parceiro do além. Apresentando uma história em duas partes, mais uma vez escrita por José Salles e ilustrada por Emmanuel Thomaz (que também é o autor da capa): ‘A Prece’, dois capítulos falando sobre a fé que move as pessoas - independente do credo religioso que sigam, a sinceridade da oração é mais importante. smeditora@yahoo.com.br
quinta-feira, 10 de maio de 2012
SURGE UM NOVO SUPER-HERÓI BRASILEIRO: CAPITÃO R.E.D.
Em mãos uma nova revista apresentando um novo super-herói brasileiro dos Quadrinhos, enriquecendo esse panteão cada vez mais diversificado, e rico: trata-se de Capitão R.E.D., numa bonita apresentação gráfica – no formato americano (25,5 cm x 16 cm), capa cartonada e plastificada contendo 36 páginas em papel couchê – ficamos conhecendo esta empreitada de Elenildo Conceição Lopes (o criador do personagem) e seus parceiros. Deixemos que o próprio autor explique o porquê desta revista vir ao mundo, impressa: “este projeto sempre esteve em meus sonhos: criar um site (http://www.meuherói.com.br/) e o transformar em uma marca e selo editorial. Agora produzimos nossa primeira HQB. Não tenho palavras para descrever tamanha felicidade”. E esse entusiasmo do roteirista e editor acabou mesmo indo parar nas páginas da revista, em HQ muito bem narrada, bem escrita, com promissores personagens. A história de Capitão R.E.D. se passa em cenário fluminense, entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói (que é a cidade natal de Elenildo), num futuro bem próximo (ou presente atual?). Financiada pelo governo federal e pela ONU, a tropa especial Distrito de Risco e Emergência tem a finalidade de combater o crime organizado, cada vez mais poderoso diante da crescente corrupção política. Seu líder é Ellano, que, vestindo armadura com notáveis engenhos tecnológicos de ataque e defesa, é conhecido como Capitão R.E.D. De cara a tropa vai estar enfrentando chumbo grosso. As páginas finais são dedicadas a um personagem chamado Davi, um jovem pouco mais que um adolescente – ao que tudo indica, pode vir a se tornar um parceiro para o herói principal, vamos aguardar. Histórias ilustradas por A-Lima e colorizadas por Gil Santos.
Bem vindo ao front (ao front impresso, vamos dizer assim, pois no front virtual você já estava), Elenildo. Com este seu personagem, prepare-se para ganhar um número considerável de fiéis admiradores, mas prepare-se também para suportar os maus modos de uma minoria barulhenta e perniciosa, que invadirá sites e blogs, seus e de outros que o apoiem, para deixar insultos, injúrias, provocações, sarcasmos, tudo feito de forma gratuita, sem terem ao menos pego o gibi em mãos. Isso é resultado do que vem sendo feito no mercado editorial brasileiro deste a década de 80 do século passado, devem agir assim influenciados por tantas besteiras de tantos autores ruins de Quadrinhos ruins que conhecem e cultuam, principalmente autores ingleses e japoneses. Pergunte a quem já sofreu e vez por outra ainda sofre agressões desta forma: Emir Ribeiro, Lorde Lobo, Samicler Gonçalves, euzinho, e tantos outros brasileiros que insistem em realizar seus super-heróis de papel. Os detratores da HQB certamente vão lhe apontar o dedo dizendo: ‘plágiário’. Mas claro, contentemo-nos com a maioria do nosso público, que é muito maior e melhor do que os iludidos ‘trolls’.
De minha parte, falando como autor de personagens, reconheço a dificuldade de se criar algo original, a respeito de super-heróis de gibi, nos dias de hoje. E não somente nos dias de hoje. Afinal de contas, homens fantasiados no combate ao crime nas Histórias-em-Quadrinhos surgiram ainda no final da década de 30 do século passado, que viram surgir The Clock/O Pulso; The Phantom/O Fantasma, e o Superman/Super-Homem. Antes mesmo destes distintos cavalheiros, inimigos do crime usavam disfarces para defender a lei, ainda que fossem incompreendidos por isso, nas páginas dos livrinhos pulps (os livros de 10 centavos vendidos às pencas e que publicavam contos e romances de diversos gêneros fantásticos e literários), vistos em personagens como Phantom Detective/Detetive Fantasma, The Spider/Aranha Negra, The Black Bat/O Morcego Negro (este que muitos juram ser o precursor do Batman, de Bob Kane), e não nos esqueçamos do mais famoso de todos, The Shadow/O Sombra.
Os amigos me permitam duas breves citações: a primeira delas, de Carl Burgos, o criador do Human Torch/Tocha Humana, em depoimento a Jim Steranko (um grande artista entrevistando outro grande artista!). Burgos, partícipe ativo da ebulição dos comics na década de 40 do século passado, grande época dos super-heróis dos gibis, falou a respeito do que se pensava a respeito disso, no furor dos acontecimentos:
Nós os chamávamos simplesmente de ‘personagens’. A palavra ‘super-herói’ não existia, senão muito mais tarde. Quando nós os criávamos, não sabíamos quais personagens iriam surpreender. Apenas fazíamos o melhor que pudéssemos.
Ah, e como fizeram bem e bonito! Quantos personagens memoráveis nos legou a geração da qual fez parte Burgos! E Jim Steranko, jovem leitor de gibi dos anos 40, nos relembra uma característica indissociável do mercado editorial norte-americano dos comics naqueles tempos:
Quando dezenas de escritores e artistas produzem material para consumo de massas, seguindo as mesmas idéias gerais para a criação de ‘super-personagens’, literalmente centenas de quadros e sequencias serão quase idênticas.
Se já estava difícil para eles serem originais lá nos longínquos anos 40, o que dizer então de nós, nos dias de hoje, com mais sete décadas de mais personagens sendo criados? Vejam o caso de Stan Lee, por exemplo, considerado hoje em dia um ‘gênio universal’. O célebre ‘Homem da Marvel’, para criar seus personagens até hoje famosos, pegou idéias daqui e dali: do Homem-Borracha/Plasticman de Jack Cole, pensou no Sr. Fantástico (que veio mesmo depois do Jimmy Olsen Elastic Lad/Rapaz Elástico e ainda do Elongated Man/Homem Elástico, de Carmine Infantino); o Hulk, como o próprio Stan Lee admitiu, é um misto de Frankenstein com Jeckyl & Hyde; escreveu bonitas histórias do Surfista Prateado/Silver Surfer, mas quem criou o personagem foi Jack Kirby – que por sua vez contestou a autoria de Lee no Homem-Aranha/Spider Man, assim como a contestou Steve Ditko; seu Homem de Ferro/Iron Man é tão somente uma modernização de Bozo O Autômato/Bozo The Robot de George Brenner – sem falar de sua versão do Thor que é inspirada quase que descaradamente no Thor God Of Thunder, de Wright Lincoln. Stan Lee deveria ter se mudado definitivamente para Saturno após 1970, mas, a respeito de sua fase na Marvel nos anos 60 do século passado, mesmo ele tendo imitado de tudo um pouco em suas criações, pode ele ser considerado um mau roteirista? Claro que não! Lee criou ótimos personagens, ótimas histórias (escrevia mesmo muito bem) e com isso encantou milhões de leitores em todo o mundo. O que foi feito dos seus personagens, e o que vem sendo feito nos dias de hoje, não pode ser reputado somente a ele.
Eu vejo o trabalho de Elenildo feito em condições ainda mais difíceis do que as de Stan Lee, em termos de criatividade (e mais ainda em termos de mercado editorial!). Diante de tantas décadas com tantos personagens criados, cabe ao roteirista tentar ser o mais criativo possível, dentro das possibilidades; e o mais importante: deve se esforçar em contar uma boa história. E tanto numa como noutra, ele foi bem sucedido. Foi criativo ao conceber um super-herói com características de Capitão América, Homem de Ferro e do Capitão Nascimento – e mais do que isso, gostei de uma certa dualidade ideológica conferida ao personagem, cujo nome remete ao comunismo (de esquerda), enquanto em seu escudo (que, quando não está sendo usado, vem acoplado ao peito, em sua armadura) ostenta orgulhosamente um símbolo que faz referência ao Exército Brasileiro (considerado de ‘direita’). No mais, apenas reafirmo o que já disse acima: vale a pena conhecer o Capitão R.E.D. pois se trata de história bem escrita, bem desenhada, com personagens interessantes. http://www.capitaored.com.br/ (JS)
SAIU MAIS UM FANZINE DO ÁTOMO
Cooperativa de Histórias-em-Quadrinhos Novo Sistema lança o quarto número do fanzine do Átomo, o personagem criado por Riccelle Sullivan Suád que teve gibi próprio na década passada, pelo selo ComicStation (os fanzines vem reapresentando as histórias publicadas naqueles gibis). Para se entender melhor as histórias do Átomo se faz mister conhecer os números anteriores, caso contrário, quem por acaso vier a conhecê-lo a partir deste fanzine, pode tomar contato com personagens interessantes como Senhor Infinito, Draco, Deheon entre outros – e, principalmente, apreciar o bom trabalho de Suád, que hoje está desenhando ainda melhor do que naquela ocasião (quem acompanha o fanzine do Homem-Camaleção, sabe do que estou falando). (JS) lynx_2811@hotmail.com – e visitem a comunidade do Novo Sistema no Orkut.
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