terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

UM FANZINE ROMÂNTICO

Recebo das mãos do fanzineiro, publicitário e designer de vídeo games, o paulistano Alexandre Damas, o excepcional fanzine Sentimento – Toquei Um Coração, lançado no formato ½ A4 capa colorida frente & verso em couchê com 8 páginas em tons de cinza. Aí alguém pode me perguntar “mas Salles, como é que um fanzine como este pode ser excepcional?”, no que eu responderia prontamente: graças a temática escolhida pelos autores. O título do fanzine é também o da HQ apresentada, escrita pelo irmão de Alexandre, Adams Damas, tendo sido ilustrada pelo próprio Alexandre. E acreditem meus caros, mesmo nos dias de hoje, quando 90% dos zines e publicações independentes insistem em apresentar as piores barbaridades, exaltando os piores vícios e torpezas, eis que os irmãos Damas apresentam uma história romântica poética, que dedicaram as suas esposas – louvadas sejam estas mulheres, que inspiraram esses marmanjões a lhes proporcionar tão singela homenagem! E feita com tamanha sensibilidade que, ao terminar de ler, num momento em que me isolei dos demais frequentadores do Londrina Comic Con, não pude segurar aquelas lágrimas que marejam os olhos – ainda bem que os colegas não me viram neste momento, pois vocês sabem, um cara como eu tem que manter a fama de durão. Ah sim, recentemente foi lançado pela Júpiter II o gibi Romance em Quadrinhos – por isso, além da alegria de ter tido a chance de ler tão formidável HQ, foi descobrir que não estou sozinho nesta caminhada! Saibam mais sobre os autores em www.grimorio2.blogspot.com ou em www.damas-3brotherscomics.blogspot.com Na capa do fanzine está escrito “Parte 1”, que venham as outras mil!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CELTON NARRA HISTÓRIA DA PAMPULHA

A 29ª. edição de Celton (editada e produzida pelo mineiro Lacarmélio Alfêo de Araújo) deixa um pouco de lado as HQs e mais uma vez se dedica à pesquisa histórica: Pampulha – A História da Origem (15cm x 21 cm, capa couchê colorida, 32 páginas p&b, R$ 3,00), desta vez dando destaque ao famoso logradouro da capital mineira. Esta é a terceira vez que Lacarmélio, nosso grande e mais ativo dos artistas dos Quadrinhos, envolve-se nos caminhos historiográficos: a coleção do Celton já apresentou a história do Caminho Real das Minas Gerais, e também a história da fundação e desenvolvimento da cidade de Belo Horizonte – não por acaso, estes dois temas abordados anteriormente são indispensáveis para se compreender melhor a origem da Pampulha. E o cuidado na apuração e narrativa dos fatos apenas confirma a opinião dos que leram as três pesquisas: a de que ‘Laca’, além de um baita quadrinhista, é um notável historiador autodidata! Que brinda o leitor com texto simples e bem explicativo, passando longe do pedantismo acadêmico. Lacarmélio continua vendendo seus gibis nos semáforos de Belo Horizonte (e, por vezes, nos de São Paulo também), e mesmo assim, acreditem, seus gibis vendem mais do que as porcariadas da Marvel/DC, e sem dúvida mais do que as edições especiais, caríssimas, do Tex. Eu não me surpreendo pois também sou editor de gibis com personagens brasileiros e, ainda que estejamos longe de atingir o resultado de vendas sequer parecido com o dos gibis do Celton, já pude facilmente perceber que os personagens brasileiros dos Quadrinhos têm muito mais e maior identificação com nossos leitores pátrios – basta que estes conheçam mais e melhor sobre aqueles. Bem, se os gibis habituais com HQs do Celton já atingem vendas impressionantes (a tiragem, sempre esgotada, já atinge os 20 mil exemplares), suas edições paradidáticas são ainda mais lidas, pois sempre adotadas por ongs ou secretarias governamentais, para serem usadas em salas de aula. (JS)

NOVO SISTEMA LANÇA ENCONTRO ENTRE HOMEM-CAMALEÃO E CICLONE

Cooperativa de Quadrinhos Novo Sistema lança edição especial mostrando encontro entre dois super-heróis brasileiros: O Homem-Camaleão (de Riccelle Sullivan S.u.á.d.) e o “veterano” Ciclone (criado ainda na década de 80 do século passado pelo experiente artista dos Quadrinhos, Jorge Luís Bento de Araújo, mais conhecido como Jolba). O gibi tem 15 cm x 21 cm e está caprichadinho, capa couchê colorida (ilustrada por Jolba) com 32 páginas p&b apresentando a história ‘Heróis & Vilões’, onde Homem-Camaleão e Ciclone unem forças para combater o maligno Peçonho e sua quadrilha – e para enfrentar o gigantesco vilão, a dupla de heróis vai precisar da ajuda do pouquíssimo confiável Smoke (personagem criado por Lunio Souza Freitas). O mesmo S.u.á.d. autor do Homem-Camaleão é co-roteirista e ilustrador da HQ, mostrando a crescente evolução artística que já vem apresentando nos fanzines do herói. E a narrativa segue aquelas apresentadas nos bons tempos de gibis super-heróicos, com muita ação & aventura e pouco espaço para crises existenciais debilóides! De quebra, a publicação ainda apresenta comentários sobre a produção e seus autores. Mais informações no blog www.homemcamaleao.blogspot.com, ou visitem a comunidade do Novo Sistema no Orkut. (JS)

PAULO MIGUEL ANJOS LANÇA O 4o. NÚMERO DO FANZINE DO BENJAMIN PEPPE

Paulo Miguel dos Anjos lançando o quarto número do Fanzine do Benjamin Peppe, capa colorida com 24 páginas p&b, tamanho 15 cm x 21 cm por R$ 3,00. A capa é feita pelo próprio autor, mas no fanzine encontraremos majoritariamente o Benjamin sendo ilustrado por vários artistas como Laerçon, Aline Leal, Chagas Lima, Paulo Joubert, Rafael Pereira, Márcio Rogério Silva, e até mesmo Julio Shimamoto! E o destaque desta edição fica no encontro entre Benjamin Peppe e Letícia, personagem criada pelo gaúcho Rafael Grasel. Atenção gente, este é o fanzine do Benjamin Peppe, lançado a partir do talento e do esforço de Anjos e seus parceiros! Portanto, não é comigo que vocês podem adquirí-lo, mas diretamente com o autor e editor Paulo Miguel dos Anjos. De uma forma ou de outra, não deixem de ler! anjospaulo@zipmail.com.br - benjaminpeppe@gamil.comwww.benjaminpeppe.webnode.pt

domingo, 15 de janeiro de 2012

'VITALINO' É OBRA PRIMA DO CARTUNISMO BRASILEIRO

Conheci o trabalho do pernambucano (de Caruaru) Sivanildo Sill durante a década de 90 do século passado, através do fanzine Cordel Comix. E não só eu, mas todos que tomaram contanto com este zine na ocasião, muito nos impressionamos com o formidável talento daquele cartunista que mesclava influências dos livros de cordel ao punk rock, de traço simples e seguro, e nos debulhamos de dar risada com personagens impagáveis como As Vacabundas, Pitulino, os indizíveis Os Canibais e outros. Perdemos contato por um breve tempo, até nos reencontramos no Orkut. Eis que, no ano de 2009, Sill lança um livro reunindo seus grandes momentos no fanzine, chamado exatamente Cordel Comix – Humor Em Quadrinhos (mais do que merecidamente, agraciado com o prêmio Ângelo Agostini). Agora, nos chega o mais recente trabalho de Sill, mostrando vigorosa evolução em seu trabalho, que só os grandes artistas concebem: Vitalino, O Menino Que Virou Mestre, lançado em parceria com a prefeitura do Recife, o que possibilitou um bonito acabamento gráfico do livro (17 cm x 23,5 cm, capa colorida cartonada, 90 páginas em couchê a duas cores), contando a História de um personagem real, Vitalino, humilde habitante do sertão pernambucano que se tornou no século passado ceramista de renome nacional e internacional, com suas esculturas sendo mostradas até no museu do Louvre – fama que jamais abalou a humildade e simplicidade do artista, que se contentava que o resultado de seu trabalho sustentasse sua mulher e seus filhos. A narrativa de Sill é lírica e poética, além do cuidadoso trato histórico – não esperem o humor implacável dos tempos do Cordel Comix, mas é claro que o bom humor está presente também (mas não tentem imitar isso em casa, meninos, pois isso é privativo dos artistas geniais!). No segundo prefácio, o sr. Arthur “Cabeção”, muito melhor do que acabei de fazer, resume o que significa este livro: “A maturidade, segurança, equilíbrio e simplicidade objetiva, nos traços de Sill, é baseada na releitura da vida de um artista caruaruense (...) feita por outro artista fincado na atualidade caruaruense (...) ou seja, o encontro de artistas brasileiros, de áreas e gerações diferentes, por meio de uma obra atemporal”. E vou confessar uma coisa a vocês, e que fique só entre nós: eu, que envergonhadamente nunca ouvira falar de Mestre Vitalino antes de ler esta obra indispensável, se não fosse um cara durão teria derramado emocionadas lágrimas, após a leitura. sillcartum@hotmail.comwww.sillcartum.wordpress.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

SUPER-ENCONTRO ENTRE HERÓIS BRASILEIROS DOS QUADRINHOS!!!

Previsto para ser lançado no mês (e ano) que vem, já vou adiantando para vocês a nova façanha de Chagas Lima, o quadrinhista potiguar autor do IcFire, personagem que já atingiu a impressionante marca de mais de 80 números editados de forma independente – e esta nova façanha vem dedicada aos fãs dos super-encontros entre os super-heróis brasileiros dos Quadrinhos: Lima reuniu numa única aventura, ao lado do seu Icfire, também o Vulto (do mineiro Wellington Santos), Brasão Verde (do paulista Emerson Lino), Homem-Camaleão (do maranhense Riccelle Sullivan Suád) e até o Reação, criado por este que vos escreve. Todos aparecem juntos nesta nova publicação escrita, ilustrada e editada por Chagas Lima, intitulada Supercrossover n.1 (30 cm x 21 cm, 20 páginas p&b, capa couchê colorida, por R$ 4,00), onde os heróis se reúnem para enfrentar a invasão de demônios que ameaçadoramente paira sobre Natal, a capital norte-riograndense. Uma reunião muito animada, pra lá de divertida, um prato cheio para os fãs dos personagens brasucas dos Quadrinhos. E como disse a misteriosa Demônia, ao final: “E isto ainda não acabou. Está muito longe do fim.” Tomara! Que venham mais supercrossovers! icfire.clima@gmail.com ou visite icfirehq.blogspot.com

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

MOCINHOS & BANDIDOS CHEGA NA 100a. EDIÇÃO

Chega ao centésimo número a revista Mocinhos & Bandidos (30 cm x 21 cm, 48 páginas p&b, capa colorida), editada por Diamantino da Silva. Para quem não sabe, trata-se de um notável historiador dos comics, autor de livros como Quadrinhos Para Quadrados (que teve recentemente uma nova edição lançada) e Quadrinhos Dourados. Diamantino da Silva é um dos precursores dos personagens brasileiros dos gibis, tendo feito parte da História da Editora Júpiter (a original, paulistana, da primeira metade dos anos 50 do século passado, a mesma onde trabalhou Gedeone Malagola). Nas páginas das edições originais da Editora Júpiter foram publicados personagens criados e desenhados por Diamantino da Silva, como Ney Foguete, Flávio Corsário e Rosinha Repórter. Por esta mesma época, fez para os jornais Simão Brasil. Já o Mocinhos & Bandidos na verdade é uma extensão de uma iniciativa pra lá de simpática que é o Clube Amigos do Western, que promove reuniões entre fãs dos antigos seriados de cinema – todos trajados adequadamente, ou seja, vestidos como caubóis de filme antigo. O primeiro número de Mocinhos & Bandidos saiu como fanzine xerocado no ano de 1986, depois foi crescendo, ganhou patrocinadores, virou revista mas nunca deixou de ser o que sempre foi: uma valorosa publicação independente de Diamantino da Silva e seus parceiros, lançada com impressionante regularidade trimestral. Mocinhos & Bandidos trata não somente de faroeste, pois sempre esteve aberto a outros estilos como aventura, ficção, suspense, etc, mas sempre com olhos voltados para o passado, mais precisamente o das épocas em que Diamantino e amigos eram crianças e frequentavam as matinês e deliravam com os serials que eram projetados nas telas de cinema. Como não poderia deixar de ser, esta 100ª. edição está especialíssima, com ótimos artigos sobre Hopalong Cassidy, Vincent Price, The Son Of The Pioneers (a fabulosa banda country que aparecia nos filmes de Roy Rogers), Robert Lowery (que foi o Batman no seriado de cinema de 1949), a maravilhosa Gloria Grahame e a sensual Jane Russel. Não faltam as sessões habituais: o teste de Você Sabe?, as sínteses sobre Seriados do Cinema, a Galeria dos B Westerns, a memória de grandes artistas do cinema em Você Lembra Deles?, além da estréia de duas novas sessões: Sidekicks & Vilões e Galeria dos Mocinhos (começando muitíssimo bem com Roy Rogers). Como não poderia faltar numa edição comemorativa, há artigo e fotos fazendo referência a História do Mocinhos & Bandidos e também do Clube Amigos do Western. Imperdível! Ei, os jovens seguidores do nosso blog devem ter ficado “boiando” nessa postagem, perguntando-se continuamente “quem? quem?” – fica a sugestão para começarem a colecionar Mocinhos & Bandidos a partir deste centésimo número. Peçam através do email mocinhosebandidos@ig.com.br