sábado, 4 de junho de 2011

CELTON SE SUPERA A CADA NÚMERO!

Lacarmélio Alfêo de Araújo, mais conhecido como Celton, nosso grande artista dos Quadrinhos, conhecido por vender seus gibis nos engarrafamentos da cidade de Belo Horizonte (e hoje em dia, também na capital paulista) – gibis que ele mesmo escreve, desenha, edita e vende – lança a 26ª. edição de Celton – originalmente o nome de seu personagem principal, um mecânico gente boa com superforça, mas já há algum tempo dedicada a projetos diversos, que vão de textos paradidáticos até HQs religiosas (de tal modo que o próprio Lacarmélio passou a ser conhecido, e assumiu o apelido de Celton). Neste número (32 páginas p&b no formatinho), Celton se aproveita dos bastidores do futebol para contar mais uma engraçadíssima história chamada “Maria Chuteira E O Jogador De Futebol”, onde o autor expõe, de forma como sempre muitíssimo bem humorada, as várias facetas dos relacionamentos sexuais. O que chama a atenção é um tom razoavelmente mais ácido do que o habitual, que pode surpreender aqueles que já conhecem o trabalho de Lacarmélio. E mais interessante ainda é um artigo de três páginas assinado pelo autor relatando suas peripécias na capital e no litoral paulistas, que desvendou de motocicleta, vendendo gibis. Neste artigo, uma reflexão em especial me chamou a atenção: “desenhar muito ou escrever bem não são suficientes para o sucesso de uma publicação em Quadrinhos. O que conta é a manha, o ‘feeling’ do texto simples, divertido e popular, ainda que o tema seja sério”. E se eu fosse vocês, colegas, eu prestaria muita atenção no que diz nosso bom Lacarmélio. Afinal de contas, o homem consegue, sozinho, escoar tiragens de 20 mil exemplares! Leram com atenção, rapazes e moças? 20 mil! Mais do que todas ou quase todas as porcariadas da Marvel/DC, mais até do que as caríssimas edições especiais do Tex! (talvez hoje em dia mais até mesmo do que as edições mensais, cada vez mais caras, com preço abusivo – sem falar no extorcionismo das edições coloridas, a 30 reais! Não compro de jeito nenhum!). Não é um fenômeno, que deveria ser reverenciado por todos nós que tentamos trabalhar com Quadrinhos? Deve ser por isso que Celton nunca recebeu nenhum hq mix, o “oscar” dos Quadrinhos Brasileiros, hahaha! Brasileiros vírgula, como pode ser chamado de incentivo ao Quadrinho brasileiro, uma premiação que já laureou incontáveis vezes autores estrangeiros como alan múúúú, frank milho e nil gosma, e nunca deu sequer menção ao Celton? Mas também não é pra menos, né gente? Imagine se o Lacarmélio aparece por lá numa dessas premiações, o tamanho do constrangimento daqueles republicadores de gibis vestidos com camisetinhas do bátima e do ómiarnha, de bermuda e chinelo (apesar de ganharem um bom dinheiro, e de terem condições de vestir-se muito mais elegantemente), que republicam aqueles gibis caríssimos, com personagens conhecidos, com distribuição nacional, com todo apoio dos segundos cadernos de jornais, dos sites especializados e dos filmecos de hollywood? Os caras iriam se contorcer de inveja, pensando: “caramba, como é que um caipira desses consegue vender tantos mais gibis do que a gente?”. Ora, que se danem esses pedantes! Procurem conhecer a obra de Lacarmélio, não vou nem passar email ou endereço de contato pois ele não vende pelos correios, mas só nas ruas mesmo. Eu por exemplo sempre posso contar com ajuda do meu amigo Paulo Joubert, morador da grande BH, que nunca me deixa ficar sem um número do Celton. (JS)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

TIRAS vs MOSNTROS É O NOVO LANÇAMENTO JÚPITER II

Conheci o traço do potiguar Antoniêto Pereira ainda nos tempos dos fanzines, mais especificamente nos fanzines do Corcel Negro, personagem criado pelo conterrâneo Alcivan Gameleira. Tendo o Corcel Negro passado a ser publicado com o selo Júpiter II, o traço de Antoniêto também pôde ser visto naqueles gibis do Corcel Negro (nos números 3 e 4), junto a tantos outros talentos da HQB. E foi só então que comecei a ter algum contato com ele, primeiramente por carta, depois e-mails e por fim no orkut. E foi por aí que dele recebi uma mensagem muito curiosa: o colega perguntava se eu não tinha algum roteiro de História-em-Quadrinho sobrando, por que gostaria de praticar um novo estilo que vinha desenvolvendo. A mensagem me deixou ao mesmo tempo contente e preocupado. Contente porque, mesmo tendo tido pouquíssimo contato com Antoniêto, já pude perceber quão valoroso é esse rapaz, como tantos brasileiros talentosos espalhados em todo nosso vasto território: é fã e artista diletante das Histórias-em-Quadrinhos, ou seja, tem o seu emprego de subsistência, e assume a produção de trabalhos artísticos durante seus momentos fora do serviço. E assume este compromisso de forma decidida e responsável, sem esperar qualquer recompensa financeira. Enfim, se fico contente em saber disso, saber que Deus colocou outro grande parceiro em meu caminho, da mesma forma aquela mensagem me deixou preocupado... é que Antoniêto me perguntava se eu tinha algum roteiro sobrando... e só o que me sobrava, naquele momento, era a preguiça! E eis aí outra coisa boa que aquela mensagem no orkut me fez: acabou por me tirar da letargia! Pois, se estou sempre pedindo ajuda para os desenhistas ilustrarem as coisas que escrevo, não posso deixar de atender um ilustrador que me solicite, né? Por isso pus os neurônios pra funcionar, pensando nalguma coisa para mandar ao novo parceiro. E imaginei algo que pudesse misturar alguns diferentes gêneros (tal como fiz em Capitão MacNamara Contra A Invasão Extraterrestre), sem me esquecer do essencial: ação e aventura, para que as histórias pudessem ser divertidas. Então pensei “que tal uma dupla de policiais enfrentando monstros famosos do cinema, da ficção-científica, da literatura, etc?”. Em poucos dias escrevi as duas primeiras histórias e as enviei ao Antoniêto. A primeira réplica que recebi dele foi “estou gostando de desenhar essas histórias”. E agora vocês têm em mãos o primeiro número de Tiras vs. Monstros, que é exatamente o que diz o título: dois tiras lutando contra monstros. Se eu me diverti escrendo, se o ilustrador também gostou de desenhar os roteiros, é certo ou quase certo que os leitores vão se divertir igualmente! Pelo menos, assim esperamos. (JS)

NOVA EDIÇÃO DO VULTO PELA JÚPITER II

A nova revista do Vulto, personagem criado pelo mineiro Wellington Santos (a quarta edição lançada com o selo Júpiter II), tem capa de Raimundo Gomes & Well, com 28 páginas em p&b apresentando duas HQs: “Enchentes” (escrita e ilustrada pelo autor) mostra o Vulto em uma situação muito diferente da qual os fãs estão acostumados a ver: desta feita, ao invés de combater diretamente a bandidagem, o vigilante mascarado de Belo Horizonte une forças com os bombeiros na luta contra as terríveis consequencias das enchentes, esse flagelo que tanto assola as grandes, e mal planejadas cidades de nosso país (e bem sabemos que atualmente nem só as cidades grandes vêm sofrendo com essas tragédias). Na segunda história do gibi tive a honra e a alegria de poder escrever o roteiro (a pedido do próprio Well), e ainda contar com a inestimável colaboração do talentosíssimo artista maranhense Zilson ‘Zeck’ Costa (o irreverente autor do Homem-Caveira) para podermos contar qual é “A Grande Recompensa” do Vulto no combate ao crime. A revista ainda apresenta ilustrações de Raimundo Gomes & Raul Guilherme, e ainda de Caio Majado. Os caras mandando bem pra caramba! (JS) Pedidos para smeditora@yahoo.com.br

BENJAMIN PEPPE - O BOM NOS ESPORTES



sexta-feira, 13 de maio de 2011

HISTÓRIAS SAGRADAS n.3 APRESENTA HQs PRODUZIDAS POR ELMANO SILVA

O terceiro número de Histórias Sagradas lançado com o selo Júpiter II está muito especial, com a participação de um grande mestre do Quadrinho brasileiro: Elmano Silva (publicado também através de nossa cooperativa Júpiter II com o indiozinho Krahomim). Ele produziu especialmente para esta edição não somente a bonita capa, mas 28 páginas com três HQs (roteiro e arte) baseadas nos evangelistas. Ou, podemos dizer, ao invés de três, duas histórias, sendo uma delas dividida em dois capítulos. Desta forma Elmano Silva aborda com seu talento peculiar algumas conhecidas passagens dos textos sagrados: o encontro de Jesus com a samaritana pecadora, diante de um poço de água; e na história em dois capítulos, os eventos da ressurreição e aparição de Jesus. Imperdível para quem já conhece e admira o trabalho de Elmano, e uma ótima oportunidade para aqueles que ainda não o conhecem e que, assim como os fãs, vão achar deslumbrante. smeditora@yahoo.com.br

DE VOLTA O FANZINE DO CRÂNIO

Nos últimos dois anos, o conhecido personagem de Francinildo Sena, o alienígena Crânio, exceto por uma ou outra edição especial impressa, frequentou quase que exclusivamente o meio virtual, com várias HQs em diversos blogs. Agora o autor/editor Francinildo Sena relança o fanzine do Crânio, a partir da numeração interrompida há dois anos atrás. Quero dizer, relançou-o no mês de dezembro próximo passado, mas só agora tive a chance de ler e vale a pena comentar. São 28 páginas p&b apresentando duas HQs, ambas excelentes, a primeira delas é “Floresta Sangrenta”, escrita por Francinildo, na verdade uma releitura de uma HQ anterior ilustrada por Mark Novoselik – o grande parceiro de Francinildo Sena nas histórias do Crânio e outros personagens, um formidável talento das HQs que infelizmente, e tão prematuramente, nos deixou. De modo que nesta releitura, com arte do excelente Dennis Oliveira (que já fez o herói Tormenta, duas vezes, pela Júpiter II), Sena tem a chance de, além de narrar uma boa história com a competência habitual, prestar esta bonita homenagem ao parceiro que se foi, até mesmo reapresentado a arte do próprio Novoselik, em alguns enchertos estilo flashback. A outra HQ também é supimpa, a segunda parte de uma aventura do Crânio com a Velta (Emir Ribeiro) na caça a um maníaco sexual. O roteiro é do laureado Marcos Franco, com arte do internacional Elton Brunetti. A história continua e ficamos na melhor das expectativas com a sequencia – imagino que a esta altura Francinildo já tenha lançado novo número, senão já deve estar próximo de sair. E as expectativas são as melhores mesmo, pois muitas HQs foram produzidas para a internet e poderão aos poucos serem lançadas em papel também. É fanzine, gente, infelizmente não dá pra se comprar em bancas, mas vale a pena pedir, seja para o e-mail do autor/editor (fscranio20@yahoo.com.br) ou através da www.bodegadoleo.com

quarta-feira, 11 de maio de 2011

CONVERSA COM O EDITOR - RETRATAÇÃO AO UNIVERSO HQ

Já me confessei algumas vezes, e o farei quantas forem preciso, de que fui um facínora das letras. Já fui facínora de várias formas: da grosseria, da indiferença, da raiva, dos baixos instintos – e consegui reunir todos esses defeitos lamentáveis em diversos textos e etc. que escrevi durante minha vida, por uns vários anos. Ainda pior do que repassar aos leitores as energias negativas, derrotistas, amarguradas de um (ex) espírito melancólico, escrevi e publiquei textos ainda mais vexatórios, onde cheguei a ofender diretamente algum irmão de caminhada, apontando-lhe o dedo em riste e ainda soltando fagulhas de ódio. Que sabedoria formidável a do cristianismo, impedindo as pessoas de julgar moralmente o próximo, de julgar quem quer que seja, pois ninguém é melhor que ninguém, cada um de nós temos nossos defeitos, nossas monstruosidades interiores, e uma auto análise sincera de nossa parte, o reconhecimento de nossas fraquezas nos fará entender que não temos autoridade moral para julgar ninguém! As traves que carregamos em nossos olhos são mesmo muito maiores do que os ciscos que se encontram nos olhos dos outros...



Hoje em dia, mais maduro e sereno, aceitando a sabedoria cristã e me esforçando para pô-la em prática, que remorsos terríveis me provocam as lembranças do passado. Se por um lado é muito difícil evitar remorso em demasia, dar-me conta de minhas próprias mazelas e reconhecer o triste animal furioso que já fui (e, vez por outra, talvez ainda o seja...), são atitudes que podem ser vistas como duros e entusiasmantes desafios para o esforço no aperfeiçoamento moral. Desta forma, venho mais uma vez aqui apresentar um pedido de desculpas, por condutas equivocadas de minha parte. Algo que se deu quando conheci mais detalhadamente o público da internet, notadamente do orkut. Até então, eu era um genuíno “fanzineiro de papel” – e agora o sou oficialmente, graças a série de documentários produzidos por Márcio Sno – e quem viveu a camaradagem, o clima de amizade e companheirismo dos tempos dos fanzines de papel, pré-internet, jamais se esquece. Que ótimo o bom Márcio Sno ter registrado tantos depoimentos importantes & emocionantes dos veteranos fanzineiros do século passado. Pois o que encontrei no orkut foi algo totalmente diferente, oposto mesmo, ao que se via no universo dos fanzines. Claro que vez por outra havia alguma discussão, alguma briga, mas o respeito e a amizade imperavam, fácil, fácil. No orkut, ao contrário, ofensas e xingamentos escabrosos são disparados sem qualquer pudor, muitas vezes por pessoas ocultas sob o anonimato dos perfis falsos. Naquela ocasião, eu dava os primeiros passos como editor do selo “sm editora” (que depois se tornaria Júpiter II), e tentei divulgar os primeiros gibis que vínhamos editando, nas comunidades sobre Quadrinhos. A mais famosa até então era a comunidade no orkut do Universo HQ, o famoso sítio da internet. Pois bem, qual foi minha estupefação, qual foi meu espanto e perplexidade ao me deparar com todos aqueles xingamentos, todas aquelas ofensas, especialmente contra os autores brasileiros dos Quadrinhos e seus personagens. Com meu orgulho ferido, saí falando e escrevendo mal a respeito daquela comunidade, e também contra o dono daquela comunidade, sr. Sidney Gusman, e por fim falando mal do Universo HQ de forma geral. Mas creio que a maior implicância tenha sido mesmo com o sr. Gusman. Desse eu critiquei até algumas coisas que ele disse num programa de televisão. Claro que uma grosseria como esta não se justifica, mas ainda assim tento justificar o injustificável: antes desses eventos, eu só conhecia o sr. Gusman de uma entrevista escrita feita por Henrique Magalhães (outro “fanzineiro de papel”, editor da Marca de Fantasia, um reconhecido editor que defende e publica autores brasileiros). E foi uma entrevista simpática! Tão logo li e pensei que, na certa, tratava-se de uma boa figura, alguém que, assim como Magalhães, também defendesse os artistas brasileiros. Quando descobri que ele é quem comandava aquela comunidade no orkut, e permitia tudo aquilo, então é que comecei escrever coisas mais indelicadas a respeito do sr. Gusman. De qualquer forma, é evidente que, se pretendo ser sincero com quem está lendo isso, devo admitir que eu é quem sou o maior responsável por aqueles textos lamentáveis que escrevi, não só neste caso específico, mas tudo que escrevi ofendendo as pessoas. Por isso devo ao sr. Gusman e a seus parceiros do Universo HQ um pedido de desculpas, que adianto aqui e o qual farei novamente se um dia estivermos frente a frente. Eu é que tive meu orgulho ferido, e acabei me deixando levar por críticas negativas. Cada um tem o direito de ser amigo de quem quiser ser, e mais ainda, gostar daquilo de que quiser gostar, seja uma HQ, estilos de HQ ou o que quer que seja. Andei discutindo com aqueles que defendem o atual estilo da Marvel/DC, que eu acho uma porcaria, mas e daí? Só por que eu não gosto mais disso, devo obrigar os outros a desgostarem também? Entrando neste tipo de debate, só desperdiço meu tempo – que deve ser cada vez mais dedicado ao bom trabalho editorial da Júpiter II, ajudando e sendo ajudado por parceiros, colegas, leitores e fãs.



E minhas agressões verbais ao Universo HQ parecem ainda mais ridículas hoje, quando chegamos ao sexto ano de publicações ininterruptas, mais de uma centena de gibis. E o Universo HQ, mostrando grandeza, mesmo diante de meu destempero verbal acabou divulgando alguns lançamentos nossos (como o faz atualmente com Velta & Mirza). Dentre os vários pedidos e encomendas de gibis feitos nestes seis anos, sempre existe a curiosidade em saber de sua procedência – quem é, de onde fala e onde viu o anúncio de nossas revistas. Pois nenhum cliente ou freguês dos nossas publicações disse ter visto divulgação no Universo HQ. Não porque o Universo HQ não o fizesse, mas pelo fato de que os leitores da Júpiter II em sua maioria não frequenta o sítio Universo HQ, que é notoriamente o preferido dos marvetes e decenautas (que, por sua vez, odeiam e/ou desprezam nossos gibis). O que estou querendo dizer, ressaltando meu próprio ridículo ao escrever ofensas ao Universo HQ, é que, para nossa História, quero dizer, para a História da nossa cooperativa smeditora/Júpiter II, não faria a menor diferença se o Univeso HQ existisse ou não! Por isso venho constantemente insistindo para que nos esforçemos em criar um público novo de leitores de Quadrinhos, dei até alguns exemplos práticos, como o Dia do Gibi Grátis aqui em Jaú. Ou antes disso, quando dava gibis gratuitos para a garotada vizinha da rua. Numa próxima crônica, falarei mais detalhadamente de como podemos fazer crescer a Júpiter II. (JS)